Homeopatia – artigo publicado na Revista do CREMEPE

A Homeopatia é uma especialidade médica constante do rol de especialidades da Associação Médica Brasileira desde 1980. A racionalidade foi idealizada pelo médico alemão Samuel Hahnemann que, inconformado com a medicina praticada  no século XIX com tratamento agressivos, através de observação e estudos, identificou outro meio de tratamento que não agredisse tanto o organismo. A homeopatia como as demais especialidades médicas continua se desenvolvendo e vendo explicados fenômenos que antes que antes só eram identificados pelo resultado do tratamento.

 

A consulta homeopática, como toda consulta médica, compõe-se do interrogatório sintomatológico, exame físico e solicitação de exames complementares, quando necessários. Aliado a isso, também é imprescindível se abordar o aspecto psicológico do doente, sua maneira de ser e reagir frente aos fatos e à doença. Esse conjunto de informações levará a escolha da medicação que mais se adequa ao caso. A medicação é produzida por farmácias especializadas, com técnica preconizada pelo Conselho Federal de Farmácia na qual tem como uma das fases a diluição. O tratamento requer a observação da evolução do caso tanto do ponto de vista clínico, fisio-patológico como o psicológico.

 

Observa-se um grande alcance da homeopatia em doenças crônicas, como alergias as mais diversas (eczemas atópicos, asma, …), enxaquecas de repetição, dismenorreia, etc. Nesse grupo de patologia a medicina convencional não consegue tratar mas tão somente aliviar e/ou espaçar as crises. Nestes casos observa-se o desequilíbrio do sistema orgânico que apresenta a sintomatologia. A homeopatia vem agir estimulando, através da medicação, o organismo para que retome o equilíbrio perdido promovendo assim a cura. Em outros casos ela pode entrar como tratamento coadjuvante acelerando a cura, abrandando os sintomas da patologia e reduzindo os efeitos adversos do tratamento.

 

Como as demais especialidades médicas, para a legalidade da prática homeopática é necessário o curso de formação de especialista com carga horária definida pela AMB e posterior prova de título ou residência na área. A formação leva o profissional a um pensamento diferenciado sobre o ciclo do adoecimento. O paciente é visto numa integralidade onde se mescla atividade e atitudes físicas com comportamentais. Esta racionalidade diferenciada é um dos fatores do afastamento da homeopatia pelos profissionais que a desconhecem. O diferente é visto com cautela e para se adentrar neste mundo, que possui uma lógica diversa da mecanicista na qual foram formados, a rejeição se torna o caminho mais fácil. Aqueles que se permitem conhecer essa outra racionalidade logo identificam semelhanças com a medicina com as quais estão acostumados e percebem que o campo de ação tem o mesmo objetivo de afastar o sofrimento e a busca da saúde do paciente.

 

Aos alunos da grande maioria das faculdades é furtada a possibilidade de conhecer esta prática médica. O profissional sente esse prejuízo quando perde a oportunidade de lançar mão desta medicina integrativa para a cura dos seus pacientes. A especialidade médica, dependendo do caso, pode agir sozinha ou como adjuvante aos tratamentos convencionais.

 

A homeopatia ainda participa da humanização da atual medicina, cujo avanço tecnológico fez com que fosse se afastando da prática diária. Na homeopatia a relação médico-paciente é base da consulta já pois na investigação da doença inclui o componente psicológico só observado quando a humanização participa do processo. Neste diapasão, busca-se não só a normalização das taxas e funcionalidade orgânica mas também o bem estar geral da pessoa. Concluímos assim a necessidade de maior difusão do conhecimento homeopático com o objetivo de ampliar o arsenal terapêutico na busca da saúde integral do paciente assim como a retomada da humanização da relação médico-paciente.

Carlos Eduardo Danzi Vanderlei
Médico Homeopata

 

 

Fontes: https://amhb.org.br/homeopatia-artigo-publicado-na-revista-do-cremepe